Três roxos
Dois morenos e um loiro
Roxos desconhecidos
Rostos sonolentos
Como adivinharam tamanha coincidência?
Roxos de glória ou derrota
Tudo se justificava
Menos a roncha que se encontrava na face
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Aquilo que a gente chama de ironia do destino
A hora do rush está me dando certa neurose. Para quem não sabe, esse é o momento em que todas as pessoas decidem sair de suas casas para trabalhar, ir ao colégio, almoçar, voltar para casa, dentre outras obrigações e necessidades. Mas, é no fim da tarde que o bicho pega. E faz o término do expediente perder o seu posto de “momento de glória”, desde que a classe média passou a adquirir, em tempo recorde, carros e motocicletas. As ofertas e condições de pagamento estão diante dos nossos olhos a cada página virada de um jornal, a cada intervalo de uma novela e até mesmo em jingles, fazendo aquelas letrinhas cheias de atrativos entranharem pelos ouvidos. Resultado: veículos aos montes pelas ruas.
Isso tem sido, literalmente, um congestionamento na minha vida. O engarrafamento desanima a minha saída do trabalho. Pior ainda porque sou subordinada ao transporte público. *Se algum paulistano ler este texto, pode até achar meu inconformismo uma tempestade em copo d’água. Afinal, eles adorariam estar na minha situação.
Semana passada, peguei um ônibus lotado. Daqueles que você chega a sentir a respiração do camarada ao lado. Além de todo aperto e suor, ainda tive que me contentar com uma poça de vômito. Argh! O mau cheiro insuportável sofreu para acostumar as narinas. Vi pessoas tapando o nariz e puxando o ar pela boca, numa tentativa de respirar sem sentir o odor. Para completar, o céu do Recife parecia que ia desabar, de tanta chuva que caia. As pessoas subiam com seus guarda-chuvas ensopados e se uniam àquele ambiente de insanidade.
Já havia passado 40 minutos e o ônibus só andara meio metro. Depois, mais vinte minutos parado, intacto, completando uma hora. Os passageiros começaram a descer desesperados. Muitos pareciam búfalos. Outros tentavam se distrair com o aparelhinho de MP3. Santa tecnologia…com tanto desarranjo, o homem precisa mesmo inventar coisas para acalmar os nervos.
Eu também pensei em me livrar do veículo e sair andando em procissão com os outros. Aguentei firme, pois eu tinha conseguido me acomodar numa cadeira. Não é todo dia que se vai sentado, tive que aproveitar a oportunidade, mesmo na pior das situações.
Coloquei minha cabeça para fora da janela, tentando achar o principal culpado de tudo aquilo. Tem que ter alguém responsável por aquele caos. Será o sinal quebrado? Uma batida? Um animal morto no meio da rua? Uma passeata estudantil a favor da diminuição das passagens? Nada encontrei.
Até que, enfim, o trânsito começou a desafogar…E eu pude chegar ao meu destino, a minha faculdade, responsável por me ensinar, dentre outras coisas, a bolar textos para anúncios. Por ironia, uma das coisas a qual me dedico é criar maneiras atrativas de vender carros, novos e semi-novos. Nem é preciso muito esforço para perceber que, quanto mais eu consigo convencer, mais pessoas adquirem automóveis!. De fato, o lucro dos nossos clientes (concessionárias) é o objetivo, bastante satisfatório por sinal. Até eu pegar novamente um trânsito quilométrico e me sentir traída pelo meu próprio trabalho...
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Divagação I
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Homenagem ao Mestre Vitalino
Das mãos sujas de massapê, uma cultura que fez o mundo admirar
Esculturas do barro exibem a simplicidade da vida
Obras modeladas, inigualáveis e apaixonantes
São encantos merecidos de um artista popular
Sua arte, reconhecida universalmente, é o orgulho de nossa gente.
Esculturas do barro exibem a simplicidade da vida
Obras modeladas, inigualáveis e apaixonantes
São encantos merecidos de um artista popular
Sua arte, reconhecida universalmente, é o orgulho de nossa gente.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Isso é só mais um textinho bonito (ou não)

Diploma. Para quê diploma, se ele não me dá bola? Assim que comecei a escrever esse texto, pensei nessa música de Martinho da Vila para expressar um pouco o que sinto. Depois que o STF suspendeu o uso do papel para ingressar na profissão de jornalista, venho incansadamente pensando sobre o assunto. Confesso que fiquei confusa e divergi opiniões. Mas, no fundo, acredito que a suspensão do diploma não vá mudar muita coisa. Para falar a verdade, não sou contra e nem a favor.
As empresas continuarão a dar importância aos formados. Sabe por quê? Porque não entendo como uma pessoa pode exercer qualquer ocupação sem receber o preparo devido. Fechei os olhos e me imaginei chegando numa redação (ou qualquer outra local de trabalho) sem conhecimento algum. Seria o caos! A visão do inferno. Mesmo possuindo grandes profissionais ao meu lado, me enchendo de chicotadas e gritos perversos, tenho certeza que não seria o mesmo, sem o conhecimento teórico (e prático) adquirido na faculdade. *Não quero aqui discutir sobre qualidade. Claro que todos nós sabemos da precariedade dos equipamentos, das salas de aula, etc.
Quero dizer que o jornalismo é muito mais do que se pensam. É muito mais do que ter opiniões sobre determinados assuntos e, por isso, terem a pretensão de escrever artigos, serem comentaristas. Estou falando de um caráter mais sério conferido ao jornalismo, que vai além do pretendido para ele. De onde eu iria partir sem noções de ética, de prioridade de informações, do que eu devo falar, do que eu devo fazer? Iria seguir apenas com o conhecimento repassado? E o meu caráter, cadê? O meu jeito, a minha forma de escrever, de informar, a minha opinião a respeito dos assuntos, do que é preciso e, até mesmo, a formação de um olhar crítico em relação às coisas, que pode muitas vezes ajudar e aprimorar o trabalho. Sem falar que a faculdade era para ser considerada algo precioso, se levarmos em consideração a educação do nosso país. É a partir do diploma que se valoriza aqueles que optaram pelo estudo.
Previsões e indignação são bem-vindas. O assunto é realmente polêmico. Quem for jornalista e não teve uma vontadezinha sequer de expressar sua opinião acerca da obrigatoriedade (ou não), que atire a primeira pedra. Adiplomados, uni - vós!
terça-feira, 9 de junho de 2009
Vós embriagais

Nada melhor como se dispersar dos problemas do dia-a-dia com boas doses de bebida alcoólica. Não importa qual. Pode ser uma vodka, um uísque (particularmente, detesto), uma cervejinha, uma lapada de cana e até mesmo um conhaque de alcatrão. Esse último eu provei recentemente. É angustiante, mas é bom.
O importante é que você esteja bem servido para se livrar daquele pensamento ou problema que tanto lhe atormenta o juízo. O fato é que, nem sempre, isso ocorre da melhor maneira. Não quando você tem uma prova altamente subjetiva para fazer em pleno sábado de manhã. Isso acaba com qualquer pessoa. Saí de casa justamente com o intuito de voltar cedo, com boa aparência! (isso significa dizer: não muito alcoolizada). O objetivo era ver meus ex-colegas de trabalho tirarem de seus instrumentos musicais um bom samba.
Em companhia de um ilustre amigo, iniciei minha noite com doses de Orloff. Foram três, ao todo. Por causa da minha mania compulsiva de mudar de bar, acabamos migrando para outro recinto. As três dosezinhas já tinham começado a fazer efeito no meu sangue, mas, nada demais.
No novo local tocava um blues. Muito agradável por sinal. Convencida de estar sóbria, pedi uma garrafa de cerveja. O som de The Doors se misturava com minhas goladas impulsivas. Pedi mais outra… e outra. Quando vi, já estava no balcão do bar. Pobre destino o meu. Eu e minha companhia naquela noite conversávamos sobre tudo. Diálogos aprazíveis, que se confundiam com as notas de um animal noturno, misterioso e maligno, caso se alimentasse de carne humana. E, costumeiramente, ele se alimentava. Vodka pura no gargalo, depois uma briga de galo.
Passava das 2h, quando aceitei terminar a noite com uma lapada de cana. O meu amigo, maravilhoso que é, teve a brilhante idéia de, antes de virarmos, anunciássemos o nome daquele (daquela ou daquilo) que nos atormentava. Era para falar o nome em voz alta e, depois, acalmar a garganta com a cachaça. E, claro, retardar o arrependimento. Eu não queria, mas eu falei: “Fulano!” (vale salientar que Fulano é apenas um codinome).
Meu deus, por que eu disse isso? Meu amigo parou por um instante. Deve ter achado um absurdo a minha atitude. Conforme o combinado, ele também externou o nome que tanto o incomodava - “Fulana!”, disse ele, com a voz já um pouco incompreensiva. Pareceu um ritual. Fim do copo, o resultado: começo de uma embriaguez. Como eu havia dito no início, eu iria fazer teste no fim da manhã. A bebida resolve tudo, não é? Nesse caso, não. Preocupei-me, juro!
Terminamos de assistir o show. Uma delícia a melodia. Porém minha cabeça começava a pesar e dar sinais. Algo estava errado. A música encerrou, o mestre chamou, mas eu não fui! Talvez acalmaria, relaxaria. Infelizmente, eu não podia. Para casa? Avante!
Pegamos um táxi. O balanço que o carro fazia ia me causando certo enjôo. Buracos desgraçados! Além de acabarem com o carro, acabavam com o meu juízo. Posso dizer que tive péssimas sensações. Um gosto de vômito tomava conta do meu esôfago. E a cara do motorista não era muito interessante. De instante em instante, ele olhava para mim através do retrovisor. Dava-me calafrios. Não iguais aos que o homem da noite me proporcionava. Os calafrios do taxista eram frios demais, desempolgantes, broxantes. Desci do carro. Por mim, descreveria até o modelo do possante, mas o teor de álcool contido em minhas veias não permitia. O caos instaurado. Nada mais podia fazer.
As escadas do meu prédio pareciam rolantes por alguns momentos. Incorporei uma lagartixa, passei super-bonde nas mãos e me agarrei na parede. Enfim, consegui chegar até a porta e abri-la. Até que eu não estava tão ruim assim. Tinha flashes efêmeros de sã consciência.
O êmese já estava por vir e, antes que melasse toda a casa, corri para o banheiro. Aquele conteúdo gástrico saia pela minha boca. Um gosto de cana misturado com tudo aquilo que eu havia comido durante o dia. Minha cara era de barraca. Encostei-me à parede por alguns minutos. Adormeci. A parede dura se assemelhou ao meu colchão D33. Esplendido!. Vale salientar, também aterrorizante.
Mesmo com tudo isso, eu acordei. Levantei-me, ainda cambaleante, escovei os dentes, troquei a vestimenta e cair na cama. Dessa vez foi na cama! Mas não durei muito tempo com a cabeça colada ao travesseiro. Bateu novamente aquela sensação de que algo estava para sair de mim. O meu fígado estava permeável. Só a bile teve vez. Um conteúdo de cor amarelo-esverdeado. Novamente, me levantei. Dormi após.
Não sei se eu sonhei. Eu também não tinha a menor condição de saber.
Às 9h45 meu despertador tocara. Uma música irritante no meu pé do ouvido. Deu-me uma vontade expressiva de jogar o celular, janela a baixo. Felizmente, não fiz isso.
Acordei com uma baita dor de cabeça. Meus músculos da face se contraíam. O enjôo me indicava o que estava por vir. Eu só pensava na minha prova.
Minha mãe me olhou com um cara de reprovação. Perguntou logo o que se passava. Eu, filha boa que sou, disse que tinha ingerido uma pequena quantidade de bebida alcoólica. “Apenas três doses, mãe.” Foi a minha frase feita. Ela ficou especulando o que poderia ter acontecido. Eu apenas curtia a minha ressaca e pensava como eu iria fazer a prova naquele estado deplorável. Com um coração tão bom que tem, minha genitora me deu uma carona até a faculdade, temendo maiores constrangimentos, caso eu pegasse um ônibus. Ainda bem.
Antes de ir até a sala de aula, fiz questão de tomar uma coca-cola. Não inventaram nada melhor para curar a ressaca. O enjôo não passava. Eu tremia. As minhas glândulas sudoríparas soltavam uma substância alcoólica pela minha pele. Suava, enjoava, preocupada. Peguei o elevador que me teletransportou até a sala de aula. O operador era um gay, por demais assanhado. Começou a reclamar do colega de trabalho por ter o deixado mofando naquele cubículo. Fiquei com pena do pobre. “Esse safado, vai me pagar. Sai para beber água e me deixa aqui. Ele vai ver só”, dizia ele, com certa delicadeza, enquanto eu respirava fundo para não vomitar ali mesmo. Eu começava, então, a ter leves impressões de que o meu teste periódico escolar iria ser um fiasco. Não era pra menos.
Quando entrei na sala, o professor nem havia chegado ainda. Fiquei sentada na cadeira, olhando para a cara dos meus colegas. Alguns estudavam, outros ensinavam e uma pequena parcela não entendia o que se passava. Pelo menos eu sabia que iria fazer prova, tinha gente que nem isso. Um camarada chegou de mão dada com a namorada. Pensei comigo: “O amor não é lindo, o amor é cara de pau”. O problema é que o coitado não sabia que naquele dia era a maldita prova. Eu sabia, pelo menos. Esse nome assusta quase todos os estudantes. Digo quase, pois não me assusta mais. Não que eu seja a super inteligente, mas é que, simplesmente, eu a ignoro. Minha ressaca estava aí como prova da minha falta de preocupação.
Até que em enfim, o professor chegou, para alegria da galera, e não da minha. Bufei umas três vezes. Respirei fundo, alonguei os braços e dei duas quebradinhas no pescoço, para um lado e para o outro. Fazia de tudo para que meu cerebelo captasse a melhor mensagem possível a respeito do meu estado físico e emocional. A prova caiu como uma luva em minhas mãos. Chega estava quentinha. Olhei para as questões atentamente. Meus pulmões trabalhavam a todo gás, tentando levar oxigênio para o meu cérebro e fazendo com que eu parasse de me sentir mal. A priori, eu estava muito mal. Quanta sem vergonhice.
Mesmo assim, eu estava disposta a fazer todas as questões. Estavam fáceis. Eu saberia responder todas elas, conscientemente. Cheguei a responder um parágrafo da segunda pergunta. Depois disso, era impossível me manter naquele ambiente. O sol do meio-dia disparava raios solares na minha face, que me irritavam profundamente. Feria nos olhos. Ou eu saia ou eu vomitava. A escolha só poderia ser minha. Eu escolhi sair, claro. Levantei-me, fui até o professor e disse: “Mestre, infelizmente, não tenho condições de fazer a sua prova. Estou passando mal.” Ele, fazendo jus ao cargo de professor de educação cidadã, fez de tudo para que eu permanecesse na sala. “Querida, fique embaixo do ventilador. Vá lá fora e volte. Tome uma água”. Eu, já ofegante: “Professor, não tenho a menor condição de ficar aqui. Não quero passar constrangimentos. Entenda”. Ainda insistente, ele falou: “Tudo bem, mas saiba que você corre o risco de fazer prova final”. Corro o risco? É claro que eu estava ciente de que faria prova final, caso eu largasse tudo ali mesmo. Sem dúvida alguma da minha decisão, eu proclamei: “Professor, eu me responsabilizo pelos meus atos. Pode deixar.” E sai em disparada para o banheiro. Forcei o vômito, enfiando meu dedo na goela. Nada. Nenhum sinalzinho se quer. Fui para o térreo e avistei alguns colegas. Andei para um lado e para o outro, procurando uma saída para aquele mal estar. Até que, opa! Acho que agora sai. Subi correndo ao banheiro novamente. Quando eu menos esperava, estava com a cara enfiada na bacia sanitária. Nesse momento, não sabia se o enjôo vinha de dentro ou de fora. O fedor era insuportável. Aquele odor de urina me sufocava a ponto de eu não mais querer expelir o que tinha no meu estômago. Fui embora daquele lugar nojento, sem ter cumprido o meu objetivo.
Fiquei sentada no banco do corredor. Eu não sabia o que fazer para acabar com aquele mal estar generalizado provocado pelo excesso de bebida alcoólica. Na boca, um gosto amargo. E as mãos trêmulas. Eu não queria fazer mais nada, a não ser deixar o tempo passar. Olhei para as paredes, que traziam grandes placas de conclusão de curso. Cada uma mais feia do que a outra. São execráveis. Por que não contratam um designer? Talvez resolvesse o problema, ou não?
Apenas uma me chamou bastante atenção. Na foto, os formandos, escovados e bem passados, pousavam em frente ao Palácio do Governador. Aquele lugar, pensei, me era bastante familiar. Passei alguns segundos olhando atentamente para a fotografia, sorrindo. Dei gargalhadas compulsivas, assim como fazem personagens de desenho animado. Eu ria incontrolavelmente. Sozinha, eu caí. As escadarias do Palácio do Governador já havia sido palco da minha embriaguez.
* Essa crônica foi baseada em relatos e um pouco de ficção.
terça-feira, 19 de maio de 2009
À revelia do piano
Aos 19 anos, Vítor Araújo já é considerado uma revelação da cena instrumental brasileira, chamando a atenção pela forma pouco convencional de interpretar os clássicos.
“No começo, dá um friozinho na barriga. Depois, parece que estou andando nas nuvens. O final é igual à sensação de Leite Moça na boca.” É com essas palavras que o jovem pianista Vítor Araújo, de apenas 19 anos, descreve o momento de estar no palco. A paixão começou ainda criança, ao ganhar um pequeno piano de presente e, devagarzinho, foi tirando do ouvido as músicas das rádios que escutava e os jingles dos comerciais de televisão. Ao perceber a facilidade do filho com o instrumento, o pai e atual empresário artístico, Túlio Montenegro, resolveu colocá-lo no Conservatório Pernambucano de Música. “Assim como toda criança, eu comecei a praticar piano como uma atividade extra, tipo esporte ou curso de inglês”, diz Vítor.
E foi a partir daí que tudo começou. Hoje, apesar de seus aprendizados terem sidos moldados em antigos ensinamentos, a palavra tradição está fora do vocabulário de Vítor Araújo. Para ele, o negócio mesmo é inovar. Com uma performance diferente, vestindo tênis All Star, calça jeans e camisa de malha, o jovem músico faz a platéia estremecer. Ele parece brincar com o teclado e com as partituras. Recentemente, foi pivô de uma polêmica envolvendo uma interpretação nada ortodoxa da obra Frevo, de Marlos Nobre, misturando jazz e música erudita. O vídeo, claro, foi parar no Youtube, levando o pianista a conquistar espaço no disputado mercado da música.
Indagado a respeito do episódio que, de certa maneira, o levou à fama, Vítor diz que não se incomoda e acha necessário existirem pessoas que defendam o tradicionalismo. Ele prega que deve haver os dois lados, tanto aqueles que radicalizam e quebram paradigmas, quanto aqueles que são interessados em manter a concepção e execução da obra como o autor a criou. “Não digo que minha forma de fazer música é melhor do que as outras. São dois pensamentos diferentes”, afirma.
Em seu disco, intitulado TOC – gravado ao vivo no Teatro de Santa Isabel e, diga-se de passagem, com lotação esgotada -, o músico pernambucano faz improvisações e citações. Renova aqui e ali, defendendo a sua liberdade de interpretação. “Estou enveredando para o lado do jazz, que é o que eu gosto mais de escutar hoje em dia, mas também toco um pouco de música erudita, pois foi com ela que convive durante muito tempo”, garante o jovem. Os artistas escolhidos para a gravação vão de Villa-Lobos (Dança do Índio Branco) a Chico Buarque (Samba e Amor), passando por Cláudio Santoro (Paulista nº 1), Luiz Gonzaga (Asa Branca), Edino Krieger (Sonatina para piano), Tom Zé (TOC) e Radiohead (Paranoid Android). Fora isso, tem ainda uma série de composições autorais, como Valsa para Lua e Última Sessão. O trabalho, dirigido por Fabrizio Martinelli, já ganhou proporções nacionais e até internacionais, além de recordes de acesso à internet, em sites de vídeos como o Youtube.
O talento veio à tona ao participar da Mostra Brasileira de Musica de Olinda, em 2007, ao lado de artistas como Naná Vasconcelos, Hamilton de Holanda e João Donato. “Algo que me recordo e que me deixa bastante feliz foi participar do último Abril pro Rock (2008). Achei diferente de todos os lugares onde já me apresentei. Tocar Villa Lobos em um importante festival, e que prestigia o rock brasileiro, foi uma das coisas mais ousadas que já fiz”, diz Vítor, que teve a sua apresentação prejudicada pela acústica da casa.
Deixando um pouco de lado o piano, nas horas vagas Vítor Araújo diz que gosta de “escutar o silêncio”. É dessa forma que ele busca inspiração para suas, digamos, peripécias. “Costumo sempre dizer que música é inerente a cada ser humano.” Mas, se é para ouvir boas composições, ele revela suas preferências. “Ouço Guinga, Lenine, Nação Zumbi, Mula Manca, Baden Powell, Miles Davis, Villa-Lobos, John Coltrane, Elis Regina, Nelson Pereira, Caetano Veloso, Chopin e por aí vai.”
Cinéfilo inveterado, é admirador de Sergei Eisenstein, Ingmar Bergman, Andrei Tarkovki, Jean-Luc Godard, François Truffaut e Frederico Fellini. “Já assisti de tudo no cinema”, declara expressando saudosismo em relação à sétima arte. Nas horas vagas, ele também se diverte saindo com os amigos e a namorada, a qual chama carinhosamente de “minha neguinha”. E sempre que tem jogo do Náutico, seu time do coração, Vítor marca presença no estádio dos Aflitos.
Paralelamente à carreira de concertista, marcada pelo arrojo interpretativo, Vítor Araújo também integra, há mais de três anos, a banda Seu Chico, cujo repertório é integralmente dedicado a Chico Buarque.
Ainda no início de carreira, mas dono de uma notoriedade invejável, Vítor atualmente se divide entre viagens e ensaios (cinco horas por dia). Por falta de tempo, largou o bacharelado em piano, na Universidade Federal de Pernambuco, mas diz que pretende voltar e concluir o curso. Planos para o futuro? “Vários”, diz ele. “Pretendo chegar aos 80 anos, talvez até de bengala, e fazer o que eu mais gosto: estar em cima do palco. Não sei se tocando, cantando ou fazendo qualquer outra coisa.”
Veiculada na revista Viasports, em agosto de 2008.
“No começo, dá um friozinho na barriga. Depois, parece que estou andando nas nuvens. O final é igual à sensação de Leite Moça na boca.” É com essas palavras que o jovem pianista Vítor Araújo, de apenas 19 anos, descreve o momento de estar no palco. A paixão começou ainda criança, ao ganhar um pequeno piano de presente e, devagarzinho, foi tirando do ouvido as músicas das rádios que escutava e os jingles dos comerciais de televisão. Ao perceber a facilidade do filho com o instrumento, o pai e atual empresário artístico, Túlio Montenegro, resolveu colocá-lo no Conservatório Pernambucano de Música. “Assim como toda criança, eu comecei a praticar piano como uma atividade extra, tipo esporte ou curso de inglês”, diz Vítor.
E foi a partir daí que tudo começou. Hoje, apesar de seus aprendizados terem sidos moldados em antigos ensinamentos, a palavra tradição está fora do vocabulário de Vítor Araújo. Para ele, o negócio mesmo é inovar. Com uma performance diferente, vestindo tênis All Star, calça jeans e camisa de malha, o jovem músico faz a platéia estremecer. Ele parece brincar com o teclado e com as partituras. Recentemente, foi pivô de uma polêmica envolvendo uma interpretação nada ortodoxa da obra Frevo, de Marlos Nobre, misturando jazz e música erudita. O vídeo, claro, foi parar no Youtube, levando o pianista a conquistar espaço no disputado mercado da música.
Indagado a respeito do episódio que, de certa maneira, o levou à fama, Vítor diz que não se incomoda e acha necessário existirem pessoas que defendam o tradicionalismo. Ele prega que deve haver os dois lados, tanto aqueles que radicalizam e quebram paradigmas, quanto aqueles que são interessados em manter a concepção e execução da obra como o autor a criou. “Não digo que minha forma de fazer música é melhor do que as outras. São dois pensamentos diferentes”, afirma.
Em seu disco, intitulado TOC – gravado ao vivo no Teatro de Santa Isabel e, diga-se de passagem, com lotação esgotada -, o músico pernambucano faz improvisações e citações. Renova aqui e ali, defendendo a sua liberdade de interpretação. “Estou enveredando para o lado do jazz, que é o que eu gosto mais de escutar hoje em dia, mas também toco um pouco de música erudita, pois foi com ela que convive durante muito tempo”, garante o jovem. Os artistas escolhidos para a gravação vão de Villa-Lobos (Dança do Índio Branco) a Chico Buarque (Samba e Amor), passando por Cláudio Santoro (Paulista nº 1), Luiz Gonzaga (Asa Branca), Edino Krieger (Sonatina para piano), Tom Zé (TOC) e Radiohead (Paranoid Android). Fora isso, tem ainda uma série de composições autorais, como Valsa para Lua e Última Sessão. O trabalho, dirigido por Fabrizio Martinelli, já ganhou proporções nacionais e até internacionais, além de recordes de acesso à internet, em sites de vídeos como o Youtube.
O talento veio à tona ao participar da Mostra Brasileira de Musica de Olinda, em 2007, ao lado de artistas como Naná Vasconcelos, Hamilton de Holanda e João Donato. “Algo que me recordo e que me deixa bastante feliz foi participar do último Abril pro Rock (2008). Achei diferente de todos os lugares onde já me apresentei. Tocar Villa Lobos em um importante festival, e que prestigia o rock brasileiro, foi uma das coisas mais ousadas que já fiz”, diz Vítor, que teve a sua apresentação prejudicada pela acústica da casa.
Deixando um pouco de lado o piano, nas horas vagas Vítor Araújo diz que gosta de “escutar o silêncio”. É dessa forma que ele busca inspiração para suas, digamos, peripécias. “Costumo sempre dizer que música é inerente a cada ser humano.” Mas, se é para ouvir boas composições, ele revela suas preferências. “Ouço Guinga, Lenine, Nação Zumbi, Mula Manca, Baden Powell, Miles Davis, Villa-Lobos, John Coltrane, Elis Regina, Nelson Pereira, Caetano Veloso, Chopin e por aí vai.”
Cinéfilo inveterado, é admirador de Sergei Eisenstein, Ingmar Bergman, Andrei Tarkovki, Jean-Luc Godard, François Truffaut e Frederico Fellini. “Já assisti de tudo no cinema”, declara expressando saudosismo em relação à sétima arte. Nas horas vagas, ele também se diverte saindo com os amigos e a namorada, a qual chama carinhosamente de “minha neguinha”. E sempre que tem jogo do Náutico, seu time do coração, Vítor marca presença no estádio dos Aflitos.
Paralelamente à carreira de concertista, marcada pelo arrojo interpretativo, Vítor Araújo também integra, há mais de três anos, a banda Seu Chico, cujo repertório é integralmente dedicado a Chico Buarque.
Ainda no início de carreira, mas dono de uma notoriedade invejável, Vítor atualmente se divide entre viagens e ensaios (cinco horas por dia). Por falta de tempo, largou o bacharelado em piano, na Universidade Federal de Pernambuco, mas diz que pretende voltar e concluir o curso. Planos para o futuro? “Vários”, diz ele. “Pretendo chegar aos 80 anos, talvez até de bengala, e fazer o que eu mais gosto: estar em cima do palco. Não sei se tocando, cantando ou fazendo qualquer outra coisa.”
Veiculada na revista Viasports, em agosto de 2008.
domingo, 10 de maio de 2009
Morte encefálica: até onde se tem vida?
A professora Maria Gorette Machado, de 44 anos, foi vítima de bala perdida no ano passado, entre o cruzamento das ruas da Hora e 48, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife. Na UTI, a falência do seu cérebro foi diagnosticada. Seguindo os padrões médicos legais do Conselho Federal de Medicina, ela foi considerada morta. A definição de morte a partir de pacientes terminais é um tema que ainda polariza discussões e leva à reflexão de quais parâmetros são aceitáveis para determinar o fim de uma vida. Em 1968, o "Relatório de Harvard" mudava a definição de morte, sendo aceita não apenas nos casos de paradas cardíacas, circulatórias e respiratórias, mas também sendo incluída nessa lista a morte cerebral. Ainda hoje, parentes de pessoas que se encontram nessa situação delicada ainda resiste em aceitar o quadro clínico. E esse tem sido o maior empecilho para a realização de mais transplantes no país, por causa do grande número de rejeições de doação de órgãos. Enquanto isso, a fila de espera por um doador só faz aumentar.
Apesar do desejo de doar ser de responsabilidade do indivíduo, é a família que autoriza ou não a retirada de órgãos e tecidos. E, como existem ainda muitos mitos e dúvidas envolvendo o assunto, a decisão - que já é rodeada por um forte impacto emocional - fica mais difícil. De janeiro a fevereiro de 2009, os hospitais de Pernambuco notificaram 37 mortes encefálicas, segundo a Secretaria de Saúde. Em 2008, o número total foi de 274.
De acordo com a médica plantonista do Hospital Real Português, localizado na Avenida Agamenon Magalhães, Dra. Feliciana Castelo Branco, o diagnóstico é decretado quando o paciente entra em coma profundo, sem resposta motora e nenhuma atividade cerebral. Nesse caso, é constatada a ausência total e irreversível da função do córtex e do tronco. Mas, graças aos aparelhos que reproduzem a função dos órgãos vitais, a medicina consegue manter funcionando, por tempo indeterminado, um corpo com quadro irreversível. "É difícil de uma família entender a morte do parente no caso da encefálica, já que o coração, um órgão considerado importante, continua a funcionar. Então, muitas vezes, existe a resistência de querer desligar os aparelhos", comenta a médica.
Os avanços da medicina em salvar vidas dão margem à esperança dos parentes, que, por muitas vezes, considera o último suspiro do batimento cardíaco como critério de vida. A lei no Brasil encara como homicídio a eutanásia (ato deliberado de apressar o fim de quem está morrendo). Já a ortotanásia, a "morte no momento certo", é considerada omissão de socorro e tem pena que vai de um a seis meses de prisão. Apesar disso, esse tipo de prática é freqüentemente realizada. Nela, o médico retira os aparelhos e deixa o doente seguir seu curso de morte.
Ainda segundo a Dra. Feliciana Castelo Branco, os procedimentos na hora de detectar a morte cerebral são bastante rigorosos e seguem detalhadamente o que determina o Conselho Federal de Medicina. "São feitos exames clínicos em intervalos de seis horas, por dois médicos diferentes, um deles deve ser neurologista e pode ser escolhido pela família. Ainda tem o exame complementar, onde é comprovada, definitivamente, a ausência da atividade cerebral", explica. Ela diz que também que, após a confirmação de que o paciente encontra-se em fase terminal, o caso é obrigatoriamente repassado à Central de Transplantes de órgãos do Estado, responsável por intervir, junto à família do paciente, nos assuntos relacionados à doação de órgão. “Depois disso, a família decide com a equipe médica sobre a condição do paciente. Se o doente será ou não retirado do suporte avançado de vida”, fala a profissional de saúde do Hospital Português.
Doação de órgãos ainda precisa de estímulos
A polêmica sobre doações de órgãos a partir de um paciente terminal ainda resiste e é retrato dos baixos índices de transplantes e da lista de espera de pacientes que aguardam por uma chance de sobrevivência. Em 2008, foram feitos em Pernambuco cerca de mil cirurgias, ou seja, 20% a mais em relação ao ano de 2007, de acordo com dados divulgados pela Central de Transplantes de órgãos de Pernambuco
Atualmente, 3.526 pessoas esperam nos hospitais por um transplante, sendo sete por um coração, 314 por um fígado, 1.080 por uma córnea, 2.125 por um rim. “A doação tem alcançado uma melhora a cada ano, mas, se comparado com a lista de espera, ainda beira a insuficiência”, comenta a coordenadora da Centra de Transplantes de Pernambuco, Dra. Zilda Cavalcanti.
De acordo com ela, os maiores problemas detectados pela equipe da central são a falta de sensibilidade por parte da família dos doadores, além da necessidade de capacitação dos profissionais de saúde, entre eles; médicos e enfermeiros. É necessário lembrar que a lei brasileira dar o direito apenas à família de autorizar a doação dos órgãos, mesmo que, enquanto vivo, o paciente opte pela doação.
“A recusa da família ainda é muito grande. É preciso um melhor conhecimento sobre como funciona o processo de doação de órgãos para que a idéia seja amadurecida. Tem gente que pensa que o paciente vai ser amputado, enquanto não é isso. Você que é doador avise a sua família para que ela exerça a sua vontade, quando você não puder mais expressá-la”, avisa a coordenadora do núcleo.
Box:
Tipo de doadores:
Quem pode ser doador?
Todo cidadão, após o diagnóstico de morte encefálica ou a parada do coração.
Doador vivo - A doação ocorre a partir de pessoas vivas, sendo permitida apenas nos seguintes casos:
- Órgãos duplos ou partes de órgãos, cuja retirada não cause transtornos à vida do doador;
- Quando não há grave comprometimento das aptidões vitais e da saúde mental;
- Quando não causa mutilação ou deformidade inaceitável.
Doador cadáver - A retirada de órgãos e tecidos destinados a transplante deve ser precedida de diagnóstico de Morte Encefálica. O transplante só pode ser autorizado após a realização, no doador, de testes de triagem para afastar infecção sangüínea. Um doador cadáver pode doar órgãos e tecidos para até 12 pessoas, portanto, após a retirada, o cadáver é devidamente recomposto e entregue à família ou aos responsáveis legais para o sepultamento.
*informações do site http://www.transplantes.pe.gov.br
Apesar do desejo de doar ser de responsabilidade do indivíduo, é a família que autoriza ou não a retirada de órgãos e tecidos. E, como existem ainda muitos mitos e dúvidas envolvendo o assunto, a decisão - que já é rodeada por um forte impacto emocional - fica mais difícil. De janeiro a fevereiro de 2009, os hospitais de Pernambuco notificaram 37 mortes encefálicas, segundo a Secretaria de Saúde. Em 2008, o número total foi de 274.
De acordo com a médica plantonista do Hospital Real Português, localizado na Avenida Agamenon Magalhães, Dra. Feliciana Castelo Branco, o diagnóstico é decretado quando o paciente entra em coma profundo, sem resposta motora e nenhuma atividade cerebral. Nesse caso, é constatada a ausência total e irreversível da função do córtex e do tronco. Mas, graças aos aparelhos que reproduzem a função dos órgãos vitais, a medicina consegue manter funcionando, por tempo indeterminado, um corpo com quadro irreversível. "É difícil de uma família entender a morte do parente no caso da encefálica, já que o coração, um órgão considerado importante, continua a funcionar. Então, muitas vezes, existe a resistência de querer desligar os aparelhos", comenta a médica.
Os avanços da medicina em salvar vidas dão margem à esperança dos parentes, que, por muitas vezes, considera o último suspiro do batimento cardíaco como critério de vida. A lei no Brasil encara como homicídio a eutanásia (ato deliberado de apressar o fim de quem está morrendo). Já a ortotanásia, a "morte no momento certo", é considerada omissão de socorro e tem pena que vai de um a seis meses de prisão. Apesar disso, esse tipo de prática é freqüentemente realizada. Nela, o médico retira os aparelhos e deixa o doente seguir seu curso de morte.
Ainda segundo a Dra. Feliciana Castelo Branco, os procedimentos na hora de detectar a morte cerebral são bastante rigorosos e seguem detalhadamente o que determina o Conselho Federal de Medicina. "São feitos exames clínicos em intervalos de seis horas, por dois médicos diferentes, um deles deve ser neurologista e pode ser escolhido pela família. Ainda tem o exame complementar, onde é comprovada, definitivamente, a ausência da atividade cerebral", explica. Ela diz que também que, após a confirmação de que o paciente encontra-se em fase terminal, o caso é obrigatoriamente repassado à Central de Transplantes de órgãos do Estado, responsável por intervir, junto à família do paciente, nos assuntos relacionados à doação de órgão. “Depois disso, a família decide com a equipe médica sobre a condição do paciente. Se o doente será ou não retirado do suporte avançado de vida”, fala a profissional de saúde do Hospital Português.
Doação de órgãos ainda precisa de estímulos
A polêmica sobre doações de órgãos a partir de um paciente terminal ainda resiste e é retrato dos baixos índices de transplantes e da lista de espera de pacientes que aguardam por uma chance de sobrevivência. Em 2008, foram feitos em Pernambuco cerca de mil cirurgias, ou seja, 20% a mais em relação ao ano de 2007, de acordo com dados divulgados pela Central de Transplantes de órgãos de Pernambuco
Atualmente, 3.526 pessoas esperam nos hospitais por um transplante, sendo sete por um coração, 314 por um fígado, 1.080 por uma córnea, 2.125 por um rim. “A doação tem alcançado uma melhora a cada ano, mas, se comparado com a lista de espera, ainda beira a insuficiência”, comenta a coordenadora da Centra de Transplantes de Pernambuco, Dra. Zilda Cavalcanti.
De acordo com ela, os maiores problemas detectados pela equipe da central são a falta de sensibilidade por parte da família dos doadores, além da necessidade de capacitação dos profissionais de saúde, entre eles; médicos e enfermeiros. É necessário lembrar que a lei brasileira dar o direito apenas à família de autorizar a doação dos órgãos, mesmo que, enquanto vivo, o paciente opte pela doação.
“A recusa da família ainda é muito grande. É preciso um melhor conhecimento sobre como funciona o processo de doação de órgãos para que a idéia seja amadurecida. Tem gente que pensa que o paciente vai ser amputado, enquanto não é isso. Você que é doador avise a sua família para que ela exerça a sua vontade, quando você não puder mais expressá-la”, avisa a coordenadora do núcleo.
Box:
Tipo de doadores:
Quem pode ser doador?
Todo cidadão, após o diagnóstico de morte encefálica ou a parada do coração.
Doador vivo - A doação ocorre a partir de pessoas vivas, sendo permitida apenas nos seguintes casos:
- Órgãos duplos ou partes de órgãos, cuja retirada não cause transtornos à vida do doador;
- Quando não há grave comprometimento das aptidões vitais e da saúde mental;
- Quando não causa mutilação ou deformidade inaceitável.
Doador cadáver - A retirada de órgãos e tecidos destinados a transplante deve ser precedida de diagnóstico de Morte Encefálica. O transplante só pode ser autorizado após a realização, no doador, de testes de triagem para afastar infecção sangüínea. Um doador cadáver pode doar órgãos e tecidos para até 12 pessoas, portanto, após a retirada, o cadáver é devidamente recomposto e entregue à família ou aos responsáveis legais para o sepultamento.
*informações do site http://www.transplantes.pe.gov.br
quarta-feira, 18 de março de 2009
Craques em colecionar

Mania dos apaixonados pelo futebol é reunir camisas de times. O pré- requisito é: quanto mais velho for o uniforme, melhor.
Dono de uma popularidade invejável a qualquer outro esporte, o futebol reúne uma legião de praticantes. Para alguns, a paixão pela bola no pé acompanha o gosto por colecionar. E o fanatismo acaba indo além dos gramados e vai parar no guarda-roupa. A peregrinação por camisetas de time virou mania entre os brasileiros, como é o caso do publicitário Felipe Marx, de 33 anos, que possui uma coleção de camisas de times nacionais e internacionais.
O gosto por reunir uniformes, vale ressalta que é apenas a parte de cima, veio por um acaso. A primeira camisa do publicitário foi em 1988, quando a vó dele viajou à Europa e lhe trouxe uma do Barcelona. O fato é que, com a brincadeira, Marx hoje possui, aproximadamente, 60 peças. E não nega, apesar da adoração ao futebol, é são paulino de coração. “Cheguei ao ponto de me casar com uma camisa do São Paulo por baixo do fraque. Não tenho muitas camisas do meu time, umas cinco ao todo, mas uma delas é especial para mim: a de 1991, com todos os autógrafos dos jogadores”, fala Felipe.
Assim com a maioria dos colecionadores, Felipe corre atrás de uma boa relíquia. Camisas que carregam algum tipo de história ou compradas em alguma circunstância especial, como viagens, são requisitos fundamentais para se tornarem colecionáveis. “Antes, trocava camisas pelo correio com correspondentes que eu encontrava em revistas européias. Era tudo na base da confiança. Tomei alguns tombos, mas consegui camisas muito legais. Hoje, tenho feito trocas esporádicas com colecionadores brasileiros, ou comprado em viagens de lazer ou trabalho”, comenta ele.
Filho de peixe, peixinho é, já diria o ditador popular. Caio, de apenas cinco meses, filho de Felipe Marx, parece que irá seguir a mesma mania do pai. Na pequena cômoda estão guardadas as camisas do São Paulo, do Boca Junior e do Nueva Chicago, da Argentina.
Unidos pelo mesmo motivo, os irmãos Vinícius e Vítor Cunha, respectivamente 14 e 19 anos, são jovens colecionadores, mas não ficam para trás quando o assunto é camisas de futebol. Juntos, possuem um montante de quase 74 itens. “Quem ganhou a primeira camisa foi Vinícius. A partir daí, decidimos colecionar juntos. Tentamos sempre comprar, pelo menos, uma por mês. Lógico que nem sempre é possível”, ressalva o mais velho.
Por ter pouca idade, Vinicius, sempre que pode, apela por uma camisa para completar a coleção, principalmente, em datas comemorativas. “A gente compra mais camisas internacionais, pois achamos mais bonitas, além disso, no Brasil temos o nosso time do coração, que o é Sport”, comenta o adolescente.
Apesar de um cuidado muito maior do que as outras roupas, o estudante alega que, frequentemente, usa as camisas para sair. “A gente sempre usa as camisas. Tem uma que é especial e que, por isso, não vestimos, a do Grêmio autografada por Felipão, que na época era técnico da equipe”, diz Vítor, tendo a aprovação do companheiro de coleção.
Pela dificuldade de encontrar camisas de paises estrangeiros, os dois irmãos recorrem à internet para adquiri-las. Os dois deixam claro que não compram uniformes de clubes adversários ao Sport Clube do Recife, equipe para qual torcem. Já o estudante de direito Vinícius Medeiros, e o mais radical dos colecionadores, diz ser fiel ao time que torce, o Santa Cruz. “Só compro camisas internacionais. Nacionais, só as do santinha”, sentencia. Novato na arte do colecionismo, Medeiros chega perto de 20 peças no guarda-roupa.
Atualmente, quem leva o troféu de maior colecionador brasileiro de camisas de futebol é o empresário Paulo Gini, dono, também, do título de terceiro maior colecionador de camisas de futebol do mundo e o maior da América Latina, com mais de três mil itens em seu acervo.
Internet facilita a troca de ideías
Para compartilhar algumas aventuras e trocar idéias sobre as camisas, o publicitário Felipe Marx criou o site chamado “minhas camisas” (www.minhascamisas.com.br). “Congreguei em torno do site uma legião de amantes de camisas, que passaram a me ajudar nos relatos, indicando camisas novas, lançamentos, lojas, etc”, conta ele. O resultado é que, atualmente, a página tem 100 mil visitas mensais, e não pára de crescer.
O site existe desde 2006. Nele, são feitas trocas, vendas e compras de novos itens para a coleção dos que aderiram à febre. Além de ser formado por fóruns de discussões, fotos dos últimos modelos lançados e histórias engraçadas de internautas, que contam alguma de suas aventuras como colecionadores.
“Digo que, em um meio como o futebol onde as paixões às vezes levam a
confrontos, as camisas de futebol une amigos de todo o mundo. No meu site, atleticanos, cruzeirenses, palmeirenses, corinthianos, flamenguistas, vascaínos, tricolores, rubro-negros e alvirrubros deixam suas diferenças de lado e irmanam-se na paixão pelas suas camisa”, diz orgulhoso o criado do site.
O tema também é explorado por integrantes de sites de relacionamento, como o Orkut. A comunidade “camisas de futebol” tem mais de 4 mil membros.
Matéria veiculada na Revista Viasports
Entre o céu e o mar

Conheça a modalidade que mexeu com a cabeça dos surfistas, revolucionou os esportes aquáticos e enche de cores as praias brasileiras
A emoção de juntar céu e mar. Essa aventura com sabor de liberdade é conhecida pelo nome de kitesurf, ou apenas kite. E é provocada pela simples combinação de uma pranchinha nos pés somada à força dos ventos impulsionando uma pipa presa às mãos por uma corda. O resultado: um vôo rasante na água e visual de encher os olhos. Quem já viu algo parecido provavelmente entendeu que esse é o espírito do esporte – uma mistura de surfe, windsurfe e wakeboard (esqui aquático).
Apesar de ser uma prática relativamente nova, o kite já possui adeptos no mundo todo. No Brasil, são mais de três mil praticantes. Entre eles, atletas profissionais que elevaram o esporte para além de um estilo de vida; e melhor, arrasando nos torneios. Mas num país que possui, de norte a sul, mais de sete mil quilômetros de litoral – percurso que reúne os melhores lugares para praticar o kitesurf -, soaria mesmo estranho se os brasileiros ficassem para trás.
Miller Morais, 27 anos, está ai para comprovar essa teoria. Nascido em Ilhabela, São Paulo, resolveu ser atleta profissional na área de esportes radicais. A paixão pelo kitesurf começou quando viajou para o Havaí, em 1999. Foi lá também, onde a prática já era bem mais difundida, que aprendeu novas manobras e conheceu melhor o esporte. A partir daí, passou a difundir pelo Brasil todas as suas experiências adquiridas no exterior. Segundo colocado no Mundial de Kitersurf PKRA (Professional Kiteboard Rides Asssociation), na categoria Wave, Morais diz que costuma treinar nas praias do Nordeste. “Gosto de velejar com ventos em torno dos 25 nós endas de dois a três metros, mais ou menos”.
Além dos ventos, que dão o impulso para a realização das manobras, é a pipa o principal instrumento do Kitesurf, funcionando como uma espécie de pára-quedas (é feita do mesmo material). O formato abaulado e as asas aerodinâmicas são para facilitar o vôo. Essa estrutura foi pensada por Dominique e Bruno Legaignoux, dois irmãos franceses obcecados por velejo e esportes aquáticos, ao registrar a patente da “asa curvada com estrutura inflável”. A partir daí, em 1985, o kitesurf tomou sua forma atual. A regulamentação do esporte é monitorada pela Associação Brasileira de Kitersurf (ABK). Para isso, todas as escolas de kite são monitoradas a partir de um padrão estabelecido, que consiste em uma prática segura e profissional. “A evolução dos equipamentos, para torná-los mais seguros, também, tem sido uma constante. É bom também tomar cuidado com os lugares, pois nem todos são apropriados para a prática”, comenta Miller Morais.
Apesar de o clima ser favorável o ano inteiro, cada região do Brasil apresenta os melhpores ventos em determinadas épocas. Da Bahia em direção ao Sul do país, a chegada das frentes frias favorece à pratica do kitesurf. No Nordeste, a temporada dos ventos começa a partir de junho e vai até fevereiro. No ranking das melhores praias para a pratica, Praia de Luís Correia (PI), Jericoacoara (CE), Cumbuco (CE), São Miguel do Gostoso (RN), Maracaípe (PE), Ilhabela (SP), Postinho (RJ), Araruama (RJ) e Ibiraquera (SC).
Apaixonado pelas praias cearenses, João Henrique Ferreira, 33 anos, que é kitesurfista e fotógrafo profissional, costuma dizer que o Ceará tem um clima excelente, águas na temperatura ideal e os melhores ventos para a prática do kitesurf. Tanto que se mudou para lá. “As praias do Futuro, de Paracuru, do Coqueiro e a de Cumbuco são as minhas preferidas.” Esta última já sediou, ano passado, a sexta etapa do mundial do Kite Professional World Tour (KPWT).
Além de desfrutar da sensação que o esporte lhe proporciona, João também leva a vida fotografando outros atletas, registrando cada momento de saltos, giros e quedas. “O kite é um esporte que nos passa uma energia muito boa de liberdade. Não há motor, apenas a força do vento junto com a pureza da água do mar e a beleza natural da praia.”, descreve. Em 2007, ele ficou entre os três melhores no brasileiro e foi segundo colocado do campeonato cearense. “Estou me dedicando para continuar entre os três melhores do campeonato brasileiro, senão o melhor, e conseguir outros títulos.”
O pernambucano Eduardo Fernandes, mais conhecido com “Rato”, é também um dos atletas seduzidos pelo estilo do kitesurf. Surfista Professional, assim como Miller Morais (são amigos) ele conheceu o esporte quando viajou ao Havaí, em 2000. “Alguns surfistas profissionais amigos meus começaram a fazer e me incentivaram a praticar. Acabamos nos motivando”, conta ele, que de tanto treinar, acabou conquistando o vice-campeonato da primeira etapa do brasileiro de kitewave, em 2007, e foi campeão sul-americano de hang time, em 2003.
Distante das competições, Rato divide o seu tempo entre o trabalho, a família e o kitesurf. É dono e professor de um centro de treinamento de esportes de prancha, o Boardcenter, que fica na praia de Maracaípe, Litoral Sul de Pernambuco. “Nossa escola é referência no ensino do kite no Brasil. Já formamos mais de 750 alunos”, afirma. Para os que pretendem se aventurar no esporte, ele adverte que é fundamental saber nadar e aprender a manusear corretamente os equipamentos.
Nas competições, as modalidades mais conhecidas são o Freestyle, executado com manobras similares às de wakeboard (em vez de uma pipa, a prancha é puxada por um barco em alta velocidade); a regata, que se assemelha às corridas de vela; e o kitewave, com manobras executadas nas ondas, parecido com o surfe. De acordo com Gustavo Foerster, competidor e diretor de conteúdo do site Windzen, www.windzen.com.br, (responsável pela revista Kitesurf Mania), a nova onda do momento, e a preferida dos atletas, é o kitewave. “O kitewave é uma das modalidades que mais crescem, devido a sua similaridade com o surfe, além do aperfeiçoamento dos equipamentos.” Os fabricantes até já aderiram à mistura e passaram a adaptar as verdadeiras pranchas do surf para servirem de velejo. Em setembro deste ano, Gustavo ficou em nono lugar no primeiro Sul-Americano de Kitesurf Wave. O evento contou com mais de 60 inscritos do Brasil, Argentina, Chile e Peru.
Na mira das competições
Anualmente, o circuito brasileiro, os campeonatos estaduais e as etapas do mundial fazem parte da rotina dos atletas. No time feminino, está a tetracampeã brasileira Carol Freitas. Graças ao reinado, que começou em 2002, Carol faz parte do time que representa o Brasil nos campeonatos internacionais. Com o mesmo entusiasmo, a paulista Bruna Kajiya também é um dos grandes nomes e trouxe para o país o vice-campeonato na segunda etapa do Circuito Mundial de Kitesdurf, este ano.
Favorito na categoria wave, o baiano Roberto Vieira, o Robertinho, também tem alcançado excelentes resultados. Com duas finais nas principais etapas do circuito de 2007, o Mormaii Ibiraquera Wave Contest (SC) e o oi Kitesurf, na Barra da Tijuca (RJ), garantiu o título de vice-campeão brasileiro.
Assim como a maioria, Robertinho também era surfista. Até o dia em que o vento passou a ser o seu maior aliado. “Tudo começou quando eu voltava do trabalho pela orla e vi um cara desc endo uma onda de kite meio desengonçado. Parei o carro e descobri, naquele momento, que eu poderia surfar uma onda com a ajuda do vento. Afinal, sempre que ventava, o mar ficava mexido e eu não ia surfar”, explica o primeiro praticante de kitesurf da Bahia, e hoje, um dos principais atletas do país.
Outros destaques que disputam competições ao redor do mundo são Reno Romeu (RJ), na categoria Freestyle; Wilson Veloso (PB); Guilherme Brandão (SP), o Guilly, que foi terceiro colocado no mundial de 2007; Dudu Schultz (SC); Victor Aldamo (SP); Silvio Vilarin (RN); Evandro (CE); Tomaz (CE); Goiaba (CE); e Marcelo Cunha (RJ). Como atesta Robertinho. O Brasil está muito bem representado. “Ainda não temos um campeão mundial, mas vamos ter com certeza, muito em breve”, avisa.
Matéria veiculada na Revista Viasports - outubro/novembro 2008
terça-feira, 17 de março de 2009
Da palavra ao encanto

“Agora veja a minha situação: vender o que não se vende, vender poesia, vender o sublime, pregoar o invisível, botar preço no que não tem preço.”
Trecho do livro Mercadorias e Futuro
De barba e com o cabelo mais curto, José de Paes Lira chegou ao Teatro de Santa Isabel, no Recife, em companhia dos três filhos e do empresário. Os passos apressados justificavam as duas entrevistas que ainda iria conceder, faltando apenas uma hora para o início do espetáculo. Sim, essa tensão já faz parte do dia-a-dia do vocalista da banda Cordel do Fogo Encantado há 11 anos, mas aumentou bruscamente depois que ele, paralelamente aos shows, passou a dedicar-se à literatura e ao teatro.
Em apenas um mês, foram dois livros lançados: “Garoto Cósmico”, dedicado ao público infantil, da editora paulista FTD; e “Mercadorias e Futuro”, pela Ateliê Editorial, dentro da coleção LêProsa, que acabou virando uma peça de teatro. Como ele mesmo atesta, a experiência de unir as duas artes não é nova. “Afinal, eu comecei pela palavra, através da escrita e da interpretação.” O fato é que o que para o público aconteceu de repente, para ele está sendo um resgate ao que já havia feito um dia. E nem precisa dizer que realidade e ficção se misturam na trama apresentada pelo próprio músico, que vive o personagem Lirovisk.
Com uma performance que une efeito de luz, som, poesia e improviso, grosso modo o espetáculo poderia ser encarado como uma apresentação qualquer do Cordel. Mas, sem muito tempo para respostas longas, Liinha garante ser bem diferente. “O espetáculo é feito assim: o personagem é construído com um pedaço de memória e um pedaço de invenção. O próprio nome já revela isso, o radical lira, que é o meu nome, e o ovisk, que é uma fantasia, uma brincadeira, uma outra coisa, sabe?”, explica.
Produzido e co-dirigido pela atriz Leandra Leal, sua atual namorada, “Mercadorias e Futuro” tem duração de 60 minutos e é uma verdadeira crítica à aura profética atribuída a Lirinha, devido às suas apresentações, digamos assim, sobrenaturais. Na hora da descontração, ele até achou graça a idéia de poder controlar a vontade do tempo. Ainda mostrando inquietação diante do assunto repetitivo, ele rabateu. “Essa história de conseguir fazer chover não existe (risos). É um grupo que tem uma intenção catártica, uma intenção de tirar você de um lugar e colocar em outro, mas isso não significa que é algo paranormal”, comenta.
No palco, Lirovisk (ou Lirinha?) tenta convencer as pessoas de que o produto que ele está ofertando – um livro de profecias – é imprescindível para as suas vidas e que, por isso, devem comprá-lo. Durante as falas, um pouco de suas memórias é traduzida em poemas que escreveu quando criança. Dono de um talento precoce, o arcoverdense começou a compor aos 12 anos. “A minha primeira atividade artística foi recitar poesia. Eu já escrevia várias coisas em casa. Depois de ter tido essa experiência, eu decidi fazer teatro, depois comecei a compor letras de músicas.”
Foi na experiência musical que Lirinha aprimorou a sua performance, provocando uma mistura diferente de ritmos, embalados pelo som que nasceu da variedade da cultura nordestina. De seus cantadores e poetas populares. Na hora da apresentação, o troar dos tambores juntamente com as letras das músicas, impressiona a platéia, que entra em transe. Este ano, o grupo trabalha no lançamento do quarto disco, que está em fase de pré-produção em São Paulo. “Até agora, já existem 11 músicas com mais alguns poemas e vinhetas que eu ainda termino de compor”, comenta o líder da banda, que consegue arranjar tempo para tantas criações.
Mesmo com uma agenda carregada, o músico não deixa de visitar a sua terra natal, o município de Arcoverde, no Agreste de Pernambuco. Em média, consegue ir oito vezes por ano. “Quando chego lá, deixo minhas malas em casa e vou logo ver minha filha, Elvira, e meus amigos de infância. Esses encontros são fundamentais para mim.”
Quando não está no Nordeste, Lirinha aproveita o mínino de tempo livre para ler e escrever “bobagens”, ditas assim, pois não vão nem para o Cordel, nem para a peça, nem para nada. “Escrever livro não dá pra ser nas horas vagas, pois essa atividade passa das horas vagas e termina entrando nas horas não vagas. Você termina entrando nas horas não vagas. Você termina mergulhando muito. Para escrever mais ou menos, não dá”. E continua: “Eu até queria escrever outro livro, mas não tenho tempo agora.”. O “Mercadorias e Futuro” levou cinco anos para ser concluído.
Apesar de transitar entre os diferentes estilos artísticos, Lirinha não se considera um “homem multimídia”. Segundo ele, quem executa vários trabalhos ao mesmo tempo termina se tornando superficial. Em linhas gerais, é como se a fusão das artes fosse uma unidade, algo que cresceu simultaneamente com a sua evolução artística. Mesmo com todo o talento, ele deixa bem claro que não quer seguir a carreira de ator. “Eu quero continuar nessa atmosfera entre teatro, música e poesia. Isso sou eu. Não comecei a ser ator agora”. E completa “Não quero ficar sendo vários personagens.”
Matéria veiculada na Revista Viasports - outubro/novembro 2008
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Maracatu eletrizante em Chão de Estrelas

Depois de um show que arrancou elogios do público no último domingo, no Marco Zero, a banda Nação Zumbi finalizou as apresentações de carnaval no Pólo Chão de Estrelas, na madrugada desta terça-feira (24). Antes, houve a exibição das bandas Via Sat e Mombojó.
Vestidos de adereços carnavalescos, em uma hora e meia de show, os homens-caranguejos mostraram os seus tambores marcantes a um público formado, basicamente, pela população local. Jorge du Peixe, vocalista e líder da banda Nação Zumbi, e sua trupe exibiram, mais uma vez, suas experimentações percussivas através de repertório balanceado, com músicas consagradas, entre elas “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada”, “Blunt of Judah” e “Know Now”. “Esta oportunidade que o Carnaval do Recife nos fornece, de apresentar o nosso som para um público distinto, é gratificante. Espero que continue assim, cada vez mais democrático”, pontua du Peixe.
Além dos moradores do bairro, muitos se deslocaram do local de origem para prestigiar a banda, como o paulista Alex Augusto, de 22 anos, e a italiana Paula Aguglia, de 21 anos. O casal de amigos escolheu prestigiar o Carnaval do Recife. Ele já conhecia os meninos de Nação Zumbi, mas ela viu pela primeira vez no Pólo Multicultural localizado no Bairro do Recife. “Adoro o show dos caras. Quando soube que eles viriam tocar aqui, nem pensei duas vezes”, disse Alex.
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=976
Santo Amaro se despede do carnaval com muito frevo
Um prestigio ao frevo tomou conta do Pólo Santo Amaro, na programação desta Terça-feira Gorda (24). Os foliões do bairro mostraram que tem mesmo frevo no pé, entoados pelo Grupo Terra, o cantor Ed Carlos e a Orquestra Astral, com o colorido dos passistas do grupo Dançantes do Passo.
Durantes os shows, foi possível ouvir a música genuinamente pernambucana. O público relembrou clássicos do ritmo centenário - o frevo - através de canções como “Elefante” e “Bicho Maluco Beleza”, com Ed Carlos. O artista, que é amante e divulgador da cultura local, disse que se orgulha do Carnaval do Recife, pois é responsável por reunir vários ritmos. “Sou muito agradecido em poder participar desta festa”, afirmou. Em seus 20 anos de carreira, o cantor já acumulou diversos prêmios, entre eles, nos festivais de música Frevança, Canta Nordeste, Recifrevo e Recifrevoé. Na platéia, quem exibia o passo “tesoura” (consiste em cruzar as pernas com pequenos deslocamentos à direita e à esquerda) com categoria era Cristiane Neves, de 36 anos. “O Pólo de Santo Amaro está a cada ano melhor. Eu não saio daqui para brincar carnaval em outro lugar”, comenta a foliã.
Às 2h, foi a vez da Orquestra Astral mostrar irreverência quando o assunto é música carnavalesca. O conjunto teve a presença de crianças e jovens do bairro de Dois Unidos, que formam a Companhia Dançantes do Passo, existente há apenas sete meses. “Conseguimos montar o grupo a tempo para as apresentações de carnaval. Nosso objetivo é apresentar dança popular”, explica o coreógrafo e diretor artístico, Gilberto Chaprão.
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=984
Durantes os shows, foi possível ouvir a música genuinamente pernambucana. O público relembrou clássicos do ritmo centenário - o frevo - através de canções como “Elefante” e “Bicho Maluco Beleza”, com Ed Carlos. O artista, que é amante e divulgador da cultura local, disse que se orgulha do Carnaval do Recife, pois é responsável por reunir vários ritmos. “Sou muito agradecido em poder participar desta festa”, afirmou. Em seus 20 anos de carreira, o cantor já acumulou diversos prêmios, entre eles, nos festivais de música Frevança, Canta Nordeste, Recifrevo e Recifrevoé. Na platéia, quem exibia o passo “tesoura” (consiste em cruzar as pernas com pequenos deslocamentos à direita e à esquerda) com categoria era Cristiane Neves, de 36 anos. “O Pólo de Santo Amaro está a cada ano melhor. Eu não saio daqui para brincar carnaval em outro lugar”, comenta a foliã.
Às 2h, foi a vez da Orquestra Astral mostrar irreverência quando o assunto é música carnavalesca. O conjunto teve a presença de crianças e jovens do bairro de Dois Unidos, que formam a Companhia Dançantes do Passo, existente há apenas sete meses. “Conseguimos montar o grupo a tempo para as apresentações de carnaval. Nosso objetivo é apresentar dança popular”, explica o coreógrafo e diretor artístico, Gilberto Chaprão.
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=984
Mombojó no último dia do Pólo Chão de Estrelas

Fantasiados, os meninos do grupo Mombojó foram uma das atrações do último dia da programação do Pólo Chão de Estrelas, nesta terça-feira (24). Bastou a banda subir ao palco para a platéia ir ao delírio. No vocal, Felipe S, vestido com uma toalha amarrada à cintura, cantou músicas dos discos “Nadadenovo” (2004), que recebeu recursos do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Recife para ser produzido, e “Homem-espuma” (2006). “Nosso maior desafio é poder tocar para um público diferenciado há três anos. E o Carnaval do Recife permite essa experiência. Isso mostra que os pernambucanos também curtem outros ritmos, sem ser, necessariamente, cultura popular”, frisa o tecladista Chiquinho.
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=977
No Recife, reggae também tem vez no carnaval
Incluído dentro do contexto afro, a banda Favela Reggae mostrou porque o Carnaval do Recife leva o nome de multicultural. O show, que aconteceu nesta terça-feira (24), no Pólo Chão de Estrelas, foi marcado por letras que falam de desigualdade social, fome, liberdade e racismo. Do roots ao rock, as músicas levam um toque especial dos elementos tipicamente pernambucanos, como o afoxé, o maracatu e a capoeira. O grupo existe há 18 anos e é formado por sete integrantes. O líder, o vocalista e produtor da Terça Negra, Demir, diz que o objetivo do grupo é disseminar o movimento negro e que se sente feliz com a oportunidade de poder tocar durante os festejos de Momo. “Estamos sempre levando e questionando o público com as nossas mensagens. Nós, inclusive, fazemos parte da Associação Cultural Pernambucana de Reggae, que é formada por outras 50 bandas”, explica ele.
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=974
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=974
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
André Rio leva música popular a Chão de Estrelas
Um banho de cultura popular pernambucana. Assim foi o show do cantor André Rio, que ocorreu neste domingo (22), no Pólo Chão de Estrelas. O repertório reuniu antigos sucessos, novas canções autorais e, claro, muito frevo.
Com uma discografia de 13 CD´s gravados, André Rio e sua banda é presença garantida nas programações dos pólos promovidos pela Prefeitura do Recife. Para este ano, o cantor preparou uma homenagem a Enéas Freire, fundador do Galo da Madrugada. Sendo o primeiro show inserido na programação oficial do carnaval, André espera que se repita o sucesso do ano passado. “O público tem nos recebido de maneira gratificante. É muito bom sentir o calor e a receptividade das pessoas”, diz ele. Em relação ao frevo, André Rio se diz satisfeito com a difusão do ritmo. E completa: “Pensando em conjunto com outros artistas, posso dizer que meus sonhos a respeito da disseminação do frevo estão sendo concretizados”.
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=893
Maciel Salú se apresenta em Nova Descoberta

Antes da apresentação da banda Cordel do Fogo Encantado, na noite deste domingo (22), no Pólo de Nova Descoberta, o som do grupo Maciel Salú contagiava o público com as notas tiradas da rabeca e os batuques da forte percussão. Liderado pelo cantor, compositor e rabequeiro Maciel Salú (ex-integrante do DJ Dolores e Orquestra Santa Massa), o show apresentou a cena pernambucana contemporânea, caracterizada pela renovação das tradições e de sua releitura dentro de um cenário marcado por elementos globais e universais. “É importante que o público esteja próximo à cultura pernambucana”, fala Salú
Veiculada em http://www.carnavaldorecife.com.br/noticias.php?cod=890
Lirinha encanta o Pólo Nova Descoberta

No palco, toques eletrizantes da percussão e efeitos eletrônicos se misturam a uma atitude performática, que faz cada show transcender os limites da música, levando o público à catarse diante da expressão forte de seu vocalista. Para quem já viu, essa descrição é inconfundível da banda Cordel do Fogo Encantado. Quem recebeu o grupo, neste domingo (22), foi a população do bairro Nova Descoberta, no pólo de mesmo nome. Também fizeram parte da programação o cantor Maciel Salú e a Orquestra de Frevo Valois, junto com os passistas da Companhia de Dança Alexandre Spain.
Os olhares diante da apresentação pra lá de mágica e, ao mesmo tempo, misteriosa, eram de fascinação. O público acompanhava atentamente as músicas, com letras marcadas pelo sincretismo e poesia. “Já vi o show de Cordel duas vezes e ter eles pertinho da minha casa é ainda melhor”, comenta a dona-de-casa Janaina Ferreira, de 28 anos. Para o carnaval, o líder da banda Cordel, José de Paes Lira, ou Lirinha, diz que preparou um repertório especial, convidando o músico Deco Trompete para inserir nas canções o instrumento de sopro. “Queremos, na verdade, fazer uma homenagem aos instrumentos de sopro que, inclusive, são responsáveis por fazer o som do frevo. Fizemos essa mistura especial”, completa o vocalista.
Quando questionado sobre o Carnaval do Recife, Lirinha mostrou-se entusiasmado com a multiculturalidade. “É possível ouvir vários ritmos, que se misturam nos pólos centralizados e descentralizados. A periferia tem uma força especial e eu estou muito agradecido em poder tocar para a população de Nova Descoberta”, completa.
No repertório da noite, foi possível relembrar canções como “Chover” e “Tempestade”, além de mais seis inéditas. Nesse meio, até o frevo foi contemplado. Em 2008, Cordel do Fogo Encantado participou do CD Frevo do Mundo, um homenagem a Capiba, Luiz Bandeira e Aldemar Paiva, juntamente com outros cantores, onde gravou a música “Saudade”.
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Foliões mostram irreverência no Pólo Chão de Estrelas
Enquanto o cantor André Rio se apresentava no palco do Pólo Chão de Estrelas, na noite deste domingo (22), quem contribuía para animar a platéia era o casal de foliões Jadilson João, de 33 anos, e Alexandre Oliveira, de 31 anos. Conhecidos pelos populares como Xande e Tal, há 10 anos, os dois rapazes colocam uma fantasia e saem pelas ruas alegremente, interagindo com as pessoas. Vestido de noiva, Jadilson fala que a população do bairro já conhece a dupla. “Sempre que têm shows por aqui, estamos animando a galera”, disse. Já Alexandre incorporou uma mistura de cabeleireira com enfermeira.
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Iasc promove atividades em Chão de Estrelas
23/02/2009 03:47:01
Nem só de folia caracteriza-se o Carnaval do Recife. Durante os quatro dias de festejos momescos, a Secretaria de Assistência Social do Recife e o Instituto de Assistência Social e Cidadania (IASC) montaram um esquema especial voltado para o atendimento às crianças e aos adolescentes em situação de risco. No Pólo Chão de Estrelas, as atividades iniciaram neste domingo (22).
Meninos e meninas que realizam o cadastro terão a oportunidade de participar do programa de Transferência de Renda, desenvolvido pela Prefeitura do Recife. “Após uma avaliação do perfil de cada família do menor beneficiado, será feito um acompanhamento por parte dos profissionais de assistência social”, explica a coordenadora Hilda Torres. As atividades possuem três linhas de atuação. Primeiramente, é feita a divulgação de campanhas educativas de crianças e adolescentes, além do Programa Doação Cidadã, que orienta a população a respeito da doação consciente. Depois, é realizado o cadastro para atendimento posterior.
Os espaços do IASC também estão oferecendo atividades lúdico-pedagógicas, como oficinas de artes plásticas, percussão, dança, recreação e reciclagem. Jerônimo da Silva, de 13 anos, após fazer a inscrição no projeto, foi aprender a batucar. Para ele, a iniciativa é importante para o aprendizado de outras artes. “Não temos sempre esta oportunidade. Quero aproveitar bastante para, um dia, me tornar profissional”, disse o menino, entusiasmado. Na terça-feira (24), haverá uma apresentação dos participantes das oficinas.
Atendimentos - Nos pólos do IASC instalados na Rua da Imperatriz e no Pátio do Carmo, durante o desfile do Galo da Madrugada, a equipe de assistentes sociais atendeu 85 crianças e adolescentes. Já no Bairro do Recife, de 19 a 21 deste mês, o número foi de 185.
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Nem só de folia caracteriza-se o Carnaval do Recife. Durante os quatro dias de festejos momescos, a Secretaria de Assistência Social do Recife e o Instituto de Assistência Social e Cidadania (IASC) montaram um esquema especial voltado para o atendimento às crianças e aos adolescentes em situação de risco. No Pólo Chão de Estrelas, as atividades iniciaram neste domingo (22).
Meninos e meninas que realizam o cadastro terão a oportunidade de participar do programa de Transferência de Renda, desenvolvido pela Prefeitura do Recife. “Após uma avaliação do perfil de cada família do menor beneficiado, será feito um acompanhamento por parte dos profissionais de assistência social”, explica a coordenadora Hilda Torres. As atividades possuem três linhas de atuação. Primeiramente, é feita a divulgação de campanhas educativas de crianças e adolescentes, além do Programa Doação Cidadã, que orienta a população a respeito da doação consciente. Depois, é realizado o cadastro para atendimento posterior.
Os espaços do IASC também estão oferecendo atividades lúdico-pedagógicas, como oficinas de artes plásticas, percussão, dança, recreação e reciclagem. Jerônimo da Silva, de 13 anos, após fazer a inscrição no projeto, foi aprender a batucar. Para ele, a iniciativa é importante para o aprendizado de outras artes. “Não temos sempre esta oportunidade. Quero aproveitar bastante para, um dia, me tornar profissional”, disse o menino, entusiasmado. Na terça-feira (24), haverá uma apresentação dos participantes das oficinas.
Atendimentos - Nos pólos do IASC instalados na Rua da Imperatriz e no Pátio do Carmo, durante o desfile do Galo da Madrugada, a equipe de assistentes sociais atendeu 85 crianças e adolescentes. Já no Bairro do Recife, de 19 a 21 deste mês, o número foi de 185.
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